 “CÁRCERE DE MINHA ALMA”
Que vontade de me abandonar.
Ao vento como folha.
Deixar-me ninar até o sono.
E sonhar igual um bebê.
Que vontade de fugir.
Buscar algum lugar.
Onde a única vontade.
Concretiza-se dentro de minha alma.
Onde o sol brilha.
Sem ter de mostrar que é dia.
Onde a chuva cai.
Para molhar um pouco.
O cheiro do meu corpo.
Onde a única janela existente.
Dá para um horizonte perdido.
Vontade de fugir.
Para onde o mar afoga o soluço.
Onde a areia envolve meu corpo.
Onde meu sorriso ecoa no silêncio.
Vontade de sonhar.
Flutuar.
Voar.
Que vontade de esquecer.
Os buracos cavados e não fechados.
Encontrar os últimos raios de sol.
Que se perdem no além.
E junto com ele ficar sem nada pensar.
Que vontade de encontrar meu eu.
Que se perdeu neste desespero.
Que vontade de me buscar.
Nas ruas que passo.
No coração que reclama.
Na dor da ausência.
Na lágrima que cai silenciosa.
Clara como os raios de luar.
Que vontade de não ter saudades.
De meu silêncio não ser confuso.
De deixar a madrugada.
Nascer em outro olhar.
Em outro abraço.
Na sombra de outra sobra.
No fundo do meu ser.
Que vontade de encontrar.
Meu eu que partiu.
Procurando os restos de mim.
De mergulhar meus olhos no infinito.
Afogar-me nas ondas de minha boca.
Habitar meus mistérios.
Desvendar minhas descobertas.
Renunciar a toda essa vontade.
E apoiar meu corpo cansado.
Na palma de minha mão.
Tânia Simonatto

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