 “CHAMA ARDENTE”
Esta nossa paixão desmedida.
É mais real.
Que a linguagem.
Transcendente dos nossos sentimentos.
Mais complexa que qualquer teorema.
Mais compulsiva que o amanhã.
Paixão de uma insensatez.
Que nos permite.
Desnudar nosso corpo e nossa alma.
Como o sangue que percorre nossas veias.
Permitimos que nossos vasos sanguíneos.
Circulem juntos.
O meu passando por você.
O seu passando por mim.
Encontrando-se no derradeiro momento.
E fundindo-se dentro de nós.
Fazendo-nos tornar um só.
Paixão que adormece dentro de nosso corpo.
Em uma fantástica transfiguração.
Teu corpo em meu corpo.
Meu corpo em teu corpo.
Exalando uma essência inebriante.
Que transborda pelos poros.
Tornando úmida nossa pele.
Como um rio fremente.
Na inconstância da tempestade.
Paixão cravada no vácuo dos nossos sonhos.
Desejo louco.
Que apagam as luzes de todos os sorrisos.
Para acenderem raios de luar em nossos olhos.
Nossa paixão se apossa.
Das flores da primavera.
Do frio aveludado do inverno.
Das folhas do outono.
Do sol ardente do verão.
Tudo isso somente para esculpir nossos corpos.
Na chama ardente deste fogo que nos consome.
Para fazer delirar nossa realidade.
Na busca desenfreada dos nossos sonhos.
Esta paixão que nos faz enxergar.
E desejar somente um ao outro.
Paixão que faz a imensidão do tempo.
Ultrapassar nossa alma.
Apossar de nosso corpo.
Tornar nós dois em um só coração.
Um só pensamento.
Esta paixão que somente descansa.
No embalo que o vento traz.
Depois que fazemos amor.
Tânia Simonatto.

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