 “DESEJO INSACIADO”

Vi meus desejos serem saciados.
Pelo calor de seus dedos.
Luxurias de horas solitárias.
Serem escancaradas.
Vi sonhos ao sentir.
O sabor do teu sexo.

Busquei a ligação.
Que apagou este sofrer efêmero.
Sorvendo os restos do orvalho.
Que brotavam de seu corpo.
Senti-me aliviada.
Deixei-me prostrar num sofrer sereno.

Que é o sofrer de outrora.
Se agora teu corpo me satisfaz?
Ainda resta em minhas entranhas.
O líquido ardente que ali deixastes.
Em meu corpo respingos turvos.
Querendo secar.

Rolamos nossos corpos pela cama.
Subjugou-me com seu corpo.
Saciou-se em meus seios.

Fez-me sua.
Nua.
Impotente.
Alvo frágil e carente.

Possuiu-me selvagemente.
Fez brotar dentro de meu ventre.
Um leite alvo e maduro.
Cheio de quentura.
Tão puro.
Que o sugou vorazmente.
Levou-me as alturas.
Jogou-me no abismo.
Desta louca aventura.

Penso estar saciada.
Deste meu desejo.
Desejo ardente.
Urgente.

Desejo que deixa.
Marcas pelo corpo.
Corpo.
Que desfalece indolente.
Que repousa e volta.
Que prossegue esta batalha.
Ainda não satisfeita.
Não saciada.

Olho para além do brilho das estrelas.
Vejo a atmosfera.
De meu corpo procurando o seu.
Vejo-me nua entre tigres e leões.
Vejo-me caçadora.
E você minha caça.
Minha presa domada.

Rolamos nossos corpos pelo chão.
Travamos uma batalha.
De sangue e dor.
Uma batalha.
Onde não há vencido.
Nem vencedor.

Tento encerrar mais um ato.
Desta louca aventura.
Deste corpo carente de loucuras.

As horas passam.
Seu cheiro volta a misturar-se.
Ao cheiro do meu desejo.
Enlaço-te.
Arrastando-o.
Para mais um ato deste tempo.

Tempo que não sei quanto vai durar.
Tempo que vivo agora.
Sem pensar no amanhã.
Tempo de onde o próprio tempo veio.
Tempo que não sabe esperar.
Tânia Simonatto
20-06-06

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