“FASCÍNIO”
 

 

O que fascina.


É saber que me sinto gente.


Que danço contente.


Que mergulho no luar.



É traçar no corpo ardente.


Teus beijos quentes.


Despir-me do deprimente.


E engasgar-me com teu suor.



É ter nos poros.


Um gosto.


De sal dormente.


Um flutuar.


Bem mais que contente.


Um palpitar.


Que só me faz te desejar.



O que me fascina.


É relatar meu desatar.


É saber me resgatar.


E querer sempre.


Cada vez mais me regozijar.



É remar contra as regras.


Relutar contra o agitar.


E sempre mais me deixar levar.



É saborear o acontecer.


Fazer-me exceder.


Até me sentir sufocar.



O que me fascina.


É descobrir um lago manso.


Em meio a este.


Meu desejo veemente.



É achar-me, sem ao menos.


Ter me procurado.


É deixar-me.


Possuir por telepatia.


Num vendaval imperturbável.


De sensações incontidas.


De segredos camuflados.


De prazeres atribulados.



Descubro-me.


Astuta nas descobertas.


Atrevida em minhas divagações.



O que me fascina.


É buscar no dia a dia.


O meu crescimento.


É aquietar-me.


Num aprofundar bandoleiro.


E descobrir-me.


Sempre mais faceira.



É cruzar meu eu com o seu.


E saber que o seu eu.


Queima de leve perto do meu.



É saber que te consumo.


Que te anulo.


Que te crucifico.


Numa ansiedade sem fim. 


 


Simonattonia


09-03-08

 

 

 

 

 

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