
”MEU TEMPO”
Encontrou-me.
Qual pássaro frágil.
Ferido.
Aprisionado.
Asas cortadas.
Para que não pudesse voar.
Muros construídos.
Protegiam a redoma em que vivia.
Redoma que achava.
Que não tinha como sair.
Ensinou-me a implodi-lo.
Segurou minhas mãos.
Levou-me a buscar meus sonhos.
Meu tempo.
Decifrou pra mim.
O sentido da frase.
Voar, abrir uma parte de você.
Porque este era meu tempo.
Tempo de voar.
Voei em direção aos seus braços.
Segurou-me.
Embalou-me em teu corpo.
Disse que iria me ensinar.
Os caminhos das pedras.
Disse não ter medo deste caminho.
Pois já o havia percorrido.
E as pedras.
Não mais me impediam de caminhar.
Disse-me que iria me ensinar a percorrer.
E que “caminho das pedras”.
Era um termo figurado.
Levou-me então.
Por um lugar seguro.
Onde se atravessa um rio.
Até chegar a outra margem.
Por cima das pedras.
Já sem medo de nada.
Entreguei-me por completo.
Em suas mãos.
Levou-me por caminhos.
Nunca antes percorridos.
Fez brotar.
Meus sonhos adormecidos.
Meus desejos escondidos.
Minha paixão avassaladora.
Soube então eu que sua.
Sem passado.
Total.
Completa.
Sem reservas.
Medos.
Pudores.
Encontrou-me.
Depositou-me.
Na palma de suas mãos.
E fez-me tua.
Totalmente tua
.
E de mais ninguém.
Ontem
Hoje.
Talvez amanhã.
Quem sabe sempre.
Tua.
Somente tua.
Tânia Simonatto
12-11-07

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