“PRISIONEIRA DE UM SONHO”



 

Enclausurada em uma redoma de aço.


Vi aos poucos meus sonhos desmoronar.

Minha felicidade esvair-se aos poucos pelos dedos.



Não tenho presente.


Não vivo o hoje.


Não tenho um amor.


Não tenho ninguém.



Tenho, entretanto.


Todo o tempo do mundo.


Para pensar, lembrar, recordar.



Lembranças de um passado.


Não muito distante.


Feito de sonhos, encantos, magia.



Um passado de uma paixão proibida.


Que se transformou em um amor profundo.


Em um querer mais que tudo nesse mundo.



Passado desfeito na ironia.


De um amor que não soube.


Dar o tempo que tanto pedia.


Faltava tão pouco para ser feliz.



Culpado este amor por não saber esperar?


Culpada esta cautela em clamar em adiar?


Culpados a insensatez desses seres em se apaixonar?


Culpado o algoz que conseguiu os separar?



Perguntas e mais perguntas.


Que não levam a nada.


A lugar nenhum.


Rua sem saída.


Caminhos de bifurcações.


Estradas repletas de placas de sinalizações.



Assim é o viver de um diamante bruto.


Que não pode ser lapidado.


Que ficou encarcerado.


Vendo as estações do ano passar.



Vivendo na esperança.


Que consiga lutar.


Esta redoma quebrar.


Buscar o antigo amor do passado.


Ou que um novo amor apareça.


Para tomar o seu lugar.




Tania Simonatto

 

 


 

 

 

 

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