“TEMPO CONFIDENTE”
 


 

Tempo confidente nas horas.


De nossa volúpia e desejo.


Sonhos e incertezas


Espera e sofreguidão.



Tempo confidente.


De nossos segredos.


Guardados, camuflados.


E jamais revelados.



De nosso desejo louco.


Que vaga pelas veias.


E se entrega um ao outro.


Numa eterna conspiração.



Confidente de nossos.


Desejos insanos.


Que invade o corpo.


E faz-nos entranhar.


Cada vez mais.


Um dentro do outro.



Tempo confidente.


De nossos gemidos roucos.


Da entrega sem limites.


Reservas ou pudores.



De unhas que arranham.


Dilaceram o corpo.


Entorpece os sentidos.



Confidente de gestos lascivos.


De corpos estremecidos.


Gritos contidos.



Tempo confidente.


Amante de dois amantes.


Que se buscam na escuridão.


Nas ruas desertas.


Em meio à vegetação.


Que camuflam a visão.



Tempo confidente.


Que leva as palavras ao vento.


Para dizer ao outro corpo.


Que este corpo o espera.


Na próxima estação.

 



Tânia Simonatto


23-02-08

 

 

 

 

 

 

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