“UM QUERER”



 

Dói fundo no peito.


Um que de esperança.


Uma agonia que balança.


Uma veia que pulsa.


Um ruído que já não se escuta.


Uma saudade que não mais se contém.



Dói fundo na alma.


Um que de se fazer querer.


Um grito de derrota.


Um gemido reprimido.


Uma ansiedade que não mais de detém.



Dói fundo no peito.


Um gosto de solidão.


Um aperto de aflição.


Um reprimir de emoções.


Que anula.


Que derruba.


Que parece não ter fim.



Chora esta vontade.


Sofre esta saudade.


Faz apertar o coração.


Transbordar este desejo.


Resguardar este tremor.



Dói fundo na alma.


O gosto da boca dormente.


O bater de carnes frementes.


A frustração de não ter você.



Cambaleia a incoerência.


Amordaça este gemido necessário.


Desafoga esta convulsão.


Busca o peito que arfa.


Pisa o corpo que rola.


Deita na relva e se entrega.



Desnuda esta saudade.


Declara guerra á solidão.


Corre na pele que se expõe.



Dói fundo no peito.


A falta de rolar pelas calçadas.


De gritar nas madrugadas.


De infiltrar-me dentro de você.

 




Tânia Simonatto
 


 

 

 

 

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